sábado, 25 de abril de 2009

Gilmar Mendes e os tempos de Senzala.

O grande destaque da vida pública no Brasil esta semana, foi o episódio do STF-Supremo Tribunal Federal, envolvendo seu presidente, Min. Gilmar Mendes e o Min. Joaquim Barbosa. A mídia noticiou como um “bate boca”, como se o mesmo não evidenciasse a crise do Estado brasileiro, cuja burguesia resiste por mudanças em sua estrutura tão excludente e injusta.
Devemos parabenizar o Min. Joaquim Barbosa por sua coragem e dignidade em confrontar os “equívocos” cometidos por Gilmar Mendes. Este senhor é responsável pela soltura de Daniel Dantas (veja no post anterior). Suas decisões a frente do STF, têm gerado indignação na sociedade. Ele age como um “Senhor” nos tempos de engenho. Talvez por isso o Min. Joaquim tenha dito:
“Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade da Justiça brasileira. Vossa Excelência não está falando com seus capangas do Mato Grosso.” (J.B.)
Confira no vídeo, a atitude do Min. Joaquim Barbosa, mostrando que o STF não é uma Senzala para o seu Senhor fazer o que bem entender. Certamente ele nos representou com a mais alta dignidade e por isso merece nosso respeito e admiração.
PC

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Daniel Dantas, o "Poderoso Chefão".

Impressionante a dinâmica da política brasileira e a cumplicidade de boa parte da imprensa, em sufocar “vergonhosamente” os crimes de colarinho branco, praticados por alguns políticos e empresários, causando grandes prejuízos aos cofres públicos, tornando cada vez mais descrente nossa sociedade.
Diante das denúncias de mau uso de passagens aéreas por deputados e senadores (prática antiga), comprovando que a farra que eles fazem com o dinheiro público é algo inimaginável, a cada dia surge uma nova denúncia de prática dolosa antiga.
Chama a atenção o fato da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), dos Grampos, estar invertendo a ordem das coisas no caso da Operação Satiagraha, aquela que denunciou os crimes do banqueiro Daniel Dantas.
Como resultado, vemos hoje o "Poderoso Chefão" encarnado na figura do Sr. Dantas, condenado a 10 anos de prisão, mas livre, leve e solto. Enquanto isto, o delegado Protógenes que o investigava, está sendo acusado de abuso de poder, pode?
Para aumentar o círculo de proteção ao banqueiro, agora estão acusando até o ex-diretor da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), delegado Paulo Lacerda, que teria dado “carta branca” a Protógenes. (Fonte: Agência Estado).
Assim não dá para entender, ou melhor, não dá para aceitar.
PC

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tiradentes, subverter é preciso.

Hoje é feriado em comemoração ao líder da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, morto e esquartejado em 1792, após tentativa de organizar um movimento que pretendia conquistar a independência do Brasil.
Na imagem da bandeira de Minas Gerais, a expressão em latim que norteava o movimento, inspirado na Revolução Francesa: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que tardia). Este episódio é muito relevante para nossa história, pois a desejada independência não foi conquistada, mas negociada com o colonizador(Portugal), que manteve seus interesses e poder sobre a colônia.
Desde então, as mudanças políticas e sociais aqui no Brasil sempre foram "negociadas" e talvez por isso nunca ocorreram grandes transformações que mudassem o quadro de exclusão social.
Não vejo em Tiradentes a figura de "mártir", esta imagem foi criada para atenuar sua identidade subversiva da ordem dominadora do colonizador.
Naquele tempo serviu para intimidar quem ousasse subverter a Coroa. Posteriormente, com a República, criou-se a imagem do mártir, alguém frágil, vítima da violência do Estado, como se ele, Tiradentes, não tivesse enfrentado o poder colonial.
Por outro lado, a figura de um revolucionário, apesar de sua indignação com a exploração de Portugal e o sofrimento dos pobres no Brasil, sendo ele também pertencente a esta classe, também não lhe cabe, já que a idéia da inconfidência não possuía grandes elementos de transformação social e estava sob forte influência da elite mineira.
Assim, prefiro vê-lo como um subversivo, corajoso e destemido, que foi capaz de assumir sozinho o ônus do sonho de mudança em nosso país. Este sonho precisa ser resgatado em nossos dias.
Nossa classe política deve inspirar-se nos ideais de mudança e por eles comprometer-se, ainda que seja pela via da subversão, como um ponto de luz na escuridão. Só que há um preço a pagar!
PC

domingo, 19 de abril de 2009

Obama e as Veias Abertas da América Latina.

Ontem, durante a V Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, Hugo Chaves entregou à Barack Obama uma das principais obras literárias sobre nosso continente: As Veias Abertas da América Latina, escrito por Eduardo Galeano na década de 70.
A obra relata a invasão dos colonizadores europeus em nosso continente, que em nome do progresso e apoio da igreja, dizimaram milhões de índios e nativos e se apropriaram do ouro e outras riquezas naturais. É referência para fundamentar a dependência do continente, hoje, especialmente para os Estados Unidos.
Não sei se Obama lerá esta obra, mas o gesto de Chaves é pedagógico e espero que a simpatia demonstrada por Obama se reflita em diálogo e respeito aos povos latinoamericanos.
PC

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa é Libertação.


"Fulano nasceu de novo!" Esta frase muito conhecida é usada para expressar o significado da experiência de alguém que esteve quase morto, que correu grande risco de morte e após o susto tem a oportunidade de recomeçar, de mudar a tragetória de vida. Este vídeo é a porta para você conhecer a experiência de centenas de jovens que têm sido retirados do tráfico de drogas para uma vida nova, com dignidade, auto estima, esperança... Chama-me a atenção o fato destes jovens serem libertos pela ação de um pastor, um cara doido, muito doido... O ideal seria que a família ou o Estado com suas políticas públicas evitassem a exclusão e morte de milhões de crianças e jovens no Brasil, mas nossa estrutura social e política têm impedido.
Tenho sido um crítico da igreja. Como pastor militante, sinto-me à vontade para denunciar seus equívocos, mas há que se valorizar também suas realizações na defesa dos direitos humanos e na transformação de vidas. Neste domingo de Páscoa, cada vez mais comercial, onde pouco se fala de seu real significado, a libertação dos hebreus do Egito e a ressurreição de Jesus, sinto a necessidade de resgatar seu conceito libertador, histórico. A coragem do Pr. Marcos Pereira nos inspira a sonhar com a transformação de nossa sociedade. Não creio só na oração e mudança de vida de uma minoria, mas o exemplo sugere que tenhamos compromisso com a luta pela dignidade humana em todas a frentes. Ações políticas, educativas, esportivas, culturais, espirituais... Jesus morreu e ressuscitou para nos dar vida plena, para buscarmos a libertação de tudo aquilo que nos escraviza, oprime, mata...

PC

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Paixão de Cristo, Paixão do Mundo.

Esta semana conheci o Padre Jorge, um sacerdote peruano que está no Brasil servindo a Deus em comunidades carentes, promovendo a dignidade humana e anunciando aos sofredores que ainda há esperança.
Foi numa visita ao bairro União da Vitória aqui em Londrina, um dos mais violentos da cidade e cheio de carências sociais. Lá, o Pe. Jorge o Evangelho que vê o homem na integralidade, em suas necessidades físicas, psíquicas, espirituais, sociais... e hoje ele celebrou a Paixão de Cristo com uma "via sacra" (caminhada de Jesus para o calvário), com o povo vestido de branco em apelo/reclame pela paz. Fui convidado, mas infelizmente não pude acompanhá-lo.
É isto aí, a Paixão de Cristo deve ser lembrada de maneira concreta, encarnando o amor de Deus pelo mundo, pelos sofredores...
Lembro da reflexão que fez Leonardo Boff na década de 70, em "Paixão de Cristo, Paixão do Mundo", nos desafiando a compreender o significado da cruz de Cristo em nossos dias.
Nesta sexta feira santa onde se comemora a Paixão de Cristo, ou seja, sua morte por nossos pecados, presto minha homenagem a esta nova e contagiante amizade, alguém que vive sua fé na paixão de Cristo pelo mundo.
PC